Investidor derruba risco-Brasil e País sonha com “upgrade”

Ativo 1 02 abril, 2007

Em quatro anos avanços levaram o indicador de 2.442 de máxima à mínima de 167 pontos-base. O risco-Brasil, que bate sucessivos recordes de baixa desde o final do ano passado, está cada vez mais próximo do risco médio dos países emergentes, conhecido por Embi Plus, o que jamais ocorreu. Na sexta passada, o indicador, medido pelo banco JP Morgan desde 1992, fechou com queda de 1,76% a 167 pontos-base, bem próximo do risco médio da região, que está em 165 pontos-base.
O indicador, conhecido como Embi (Emerging Markets Bond Index), é importante por ser considerado uma espécie de termômetro da confiança dos estrangeiros na capacidade de os emergentes honrarem suas dívidas. O risco-país mede a diferença entre os juros pagos pelos títulos de países emergentes e o valor pago pelos papéis do governo dos Estados Unidos, considerados os mais seguros do mundo. Com o risco-Brasil a 167 pontos significa que, na média, os papéis brasileiros pagam ao investidor 1,65 ponto percentual a mais que os títulos americanos emitidos de prazo igual.
O indicador oscila para cima ou para baixo dependendo de inúmeros fatores que possam afetar a confiança no Brasil. O maior da história foi medido em 2002, em meio ao temor de que o candidato do PT chegasse ao poder e não honrasse os compromissos do País. Naquele ano, o risco-Brasil chegou a 2.442 pontos-base. Cinco anos depois, uma série de melhoras nos fundamentos fizeram o risco chegar ao patamar atual. Além disso, a volatilidade do indicador em momentos de estresse é hoje muito menor do que no passado.
"Quando a gente olha as mais recentes ondas de pessimismo no mercado, como o problema nas bolsas chinesas no final de fevereiro e as incertezas sobre a economia americana, o risco-Brasil subiu neste episódios, mas muito menos do que subiria em outros anos", lembra Constantin Jancso, economista do Santander Banespa. "Isto é fruto de uma série de avanços do País, que tornaram o ambiente interno muito mais seguro ao investidor."
A avaliação do comportamento de vários indicadores nos últimos quatro anos mostra de onde vem a confiança depositada no Brasil. A dívida externa, que era de US$ 210 bilhões no final de 2002, caiu 25%, para US$ 156 bilhões em dezembro do ano passado. O saldo em conta corrente do País passou de um déficit de US$ 7,6 bilhões para um superávit de US$ 13,5 bilhões no mesmo período de comparação. A evolução do saldo comercial é ainda mais expressiva. Passou de US$ 2,65 bilhões no começo do governo Lula para US$ 46 bilhões no final do ano passado, o maior da história do País.
"Os números mostram que a necessidade de financiamento do País hoje é muito menor do que no passado, o que vem ajuda o Brasil a enfrentar turbulências sem grande dificuldade", explica Joel Bogdanski, gerente de Política Monetária do banco Itaú. O economista do Santander Banespa, Constantin Jancso, concorda. "No final dos anos 90 a preocupação era como o Brasil iria fechar suas conta, as vezes faltavam US$ 70 bilhões no caixa, problema que não existe mais, ficou no passado."
O aumento das reservas internacionais do Brasil, que saltaram de US$ 37 bilhões em 2002 para os atuais US$ 109 bilhões, também colabora para um País mais confiável, do ponto de vista do investidor estrangeiro. Ao refletir esta série de melhoras estruturais verificadas nos últimos anos, a taxa de risco medida pelo JP Morgan pode ser um indicativo de que o Brasil está cada vez mais próximo do sonhado "investment grade".
Medido pelas agências de rating, o chamado grau de investimento só é concedido a países considerados seguros para o investidor estrangeiro, que ainda não é o caso do Brasil. Nas três principais agências de rating – Fitch, Moody’s e Standard & Poor’s – o País ainda está há dois níveis do grau de investimento. É o único país, dos quatro que compõem o grupo denominado Brics – Brasil, Índia, Russia e China – que ainda não chegou lá. Mas a queda consistente do risco-país pode ser a antecipação, pelo investidor, de uma melhor avaliação do Brasil por parte das agências internacionais de rating. "O risco-país reflete, na prática, a avaliação que o mercado financeiro faz hoje da situação do País, por isto é um indicativo de que o investidor está se antecipando às agências de rating e avaliando melhor o Brasil", explica Bogdanski, do Itaú. Embora reconheça que o País caminha para o grau de investimento, o economista lembra que ainda existem entraves importantes para que o sonho possa ser atingido. 

Fonte: Gazeta Mercantil

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