Como a modernização trabalhista pode gerar mais empregos e renda?

Ativo 1 17 janeiro, 2023

O primeiro BR+ Competitivo de 2023, do MBC e da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo, discute um assunto que aflige a vida de todos os brasileiros: a geração de empregos. E para debater um tema tão importante para a competitividade do país, os convidados são especialíssimos: o presidente do Conselho de Relações do Trabalho da CNI, Alexandre Furlan, e a presidente do Conselho de Administração da Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano.

“Como é bom falar sobre o Brasil competitivo. Temos um país tão maravilhoso, com tanto potencial, mas falta competitividade. E precisamos falar de emprego, porque é o emprego que dá dignidade para as pessoas. O Brasil é um país que viveu quase 300 anos de escravidão. E uma pessoa, quando ganha um emprego, ela se liberta disso”, disse Luíza Trajano.

Furlan lembrou que o emprego é um dos mecanismos mais sensíveis da economia, que mais sofre com as oscilações do PIB e os períodos de recessão. Lembrou ainda o papel fundamental do setor privado nesse processo e a importância da existência de leis que estimulem a criação de novos postos de trabalho, com mais qualidade e melhor renda. “A legislação que rege as relações do emprego tem de estar relacionada às questões da competitividade e da produtividade”, declarou ele.

A presidente do Conselho de Administração da Magazine Luiza destaca outro empecilho para a competitividade brasileira: a burocracia.  “O Brasil perde 10% a 12% do PIB com burocracia trabalhista. Sou totalmente a favor dos sindicatos, mas a nossa lei trabalhista era antiga. Demos um salto para melhor, sem perder direito dos trabalhadores”.

Para o executivo da CNI, é preciso prestar atenção às mudanças que ocorreram nos últimos anos. “Hoje temos uma economia diversificada, novos modelos de trabalho e produção, a partir de uma modernização tecnológica que não condizia com a CLT. A CLT tinha um tamanho único que tratava de maneira igual os desiguais”, comparou Furlan.

Luiza Helena reforça a importância do ensino profissionalizante, sobretudo para que haja mais oportunidade para os jovens ingressarem no mercado de trabalho. “Precisamos também formar o jovem para ser mais empreendedor. Mas tudo isso depois que ele recebeu as primeiras oportunidades”. Ela acrescenta a necessidade de que o mercado do trabalho também busque a diversidade.

“Falar nisso é obrigação. Um país que tem mais de 50% de negros e mulheres, se não tiver diversidade, esse país não vai estar falando com seu público. A coisa mudou e a gente tem que entender que mudou. Se um presidente de empresa de hoje não entender isso, daqui a três anos ele não é CEO mais”, disse Trajano.

Alexandre Furlan ressaltou ainda a importância de as empresas e o governo se preocuparem com a requalificação profissional. “Até 2025 precisamos treinar 9,5 milhões de pessoas em ocupações industriais que vão precisar de qualificação ou requalificação. É muito importante a criação de programas que promovam o incentivo de todos, inclusive das empresas. Não é certo a gente transformar o projeto de aprendizagem em um mecanismo meramente assistencial”.

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