Reformas e retomada de investimentos são temas de destaque em evento do MBC

Ativo 1 06 dezembro, 2017

O Encontro Anual 2017 Movimento Brasil Competitivo, realizado nesta segunda-feira, 4, em São Paulo, promoveu um debate sobre as atitudes necessárias para o Brasil superar a crise e voltar a crescer. Dois temas citados com frequência pelos participantes foram a necessidade de aprovar reformas e de criar as condições necessárias para a retomada dos investimentos.

“Nossa taxa de investimento continua ridícula. Hoje é de 14,3% do PIB, que é ridícula para um país em desenvolvimento”, afirmou o economista e cientista político Ricardo Sennes, convidado para fazer uma palestra que servisse como provocação aos políticos que participariam do debate.  Sennes lembrou que o melhor índice foi de 18%, mas ponderou que “mesmo assim é pouco”.

“Investimento é a variável mais sensível do nosso processo econômico. É a essência da nossa crise, uma crise profunda de desinvestimento. E ainda não temos uma solução clara para isso”, afirmou o economista.

Sennes acredita que a recuperação econômica do Brasil, embora lenta, seja uma realidade, no sentido de recuperar o que havia sido perdido de capacidade produtiva. O problema, na opinião dele, vai ser a partir de 2019, quando o país precisar de investimentos novos para sustentar a retomada. “Isso vai depender de uma perspectiva de confiança do setor econômico brasileiro”.

“Essa pequena retomada que está aí não tem sustentação. Isso é um voozinho de galinha. Galinha tem corpo pesado e asa pequena”, disse o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung. Segundo ele, os aspectos principais da crise são estruturais. “Ou mexemos nisso ou não vai dar certo”.

O governador acha que o país não pode ter uma Previdência Social consumindo a quantidade de recursos que consome hoje em dia. Ele reconheceu que não é fácil promover esse tipo de reforma, mas fez um apelo aos líderes, especialmente àqueles que pretendem se candidatar à Presidência em 2018. “O papel de liderança não é seguir o vento que vai no caminho errado. É olhar no olho da sociedade, ter lastro com a racionalidade. Senão o país não fica de pé”.

“O investimento não ocorre por inércia. Se chegarmos a 18% de novo, temos que dar graças a Deus”, afirmou o ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. Na visão dele, o Brasil ainda não conseguiu equacionar as questões do câmbio e dos juros de modo que o investimento possa decolar.

Sobre os juros, ele cobrou que o investidor tenha maior acesso a crédito e pague menos spread. “Em qualquer país do mundo, o investidor tem uma condição melhor”. Quanto ao câmbio, Haddad afirmou que deve continuar sendo flutuante, mas que é preciso oferecer um grau maior de previsibilidade, para que o investidor não fique tão dependente de variáveis sobre as quais não tem controle. “Os problemas precisam ser endereçados. Não estou falando de intervenção do Estado, mas de fazer as reformas necessárias”.

O governador de Goiás, Marconi Perillo, fez uma dura crítica dos vícios do Estado brasileiro. “O Brasil é refém de alguns ismos, como ‘burocratismo’, patrimonialismo, corporativismo, populismo…”. Fez também uma defesa enfática das reformas, com foco na questão da produtividade. Segundo ele, é preciso fazer uma reforma política, uma tributária e outra previdenciária, que seja mais ampla do que a que o atual governo está tentando aprovar.

João Amoêdo, um dos fundadores do Partido Novo, listou uma série de problemas do país, como obstáculos ao empreendedorismo, alta taxa de desemprego, serviços públicos de má qualidade. “Isso tudo tem nome e sobrenome: o Estado brasileiro, que é paternalista e ineficiente”. Segundo ele, está “cada vez mais claro que o problema do país é estrutural, não conjuntural”.

O político afirmou que é preciso reforçar as instituições partidárias, que “viraram apenas legendas”, e cobrou uma atuação maior de alguns setores da sociedade. “Para fechar esse ciclo que nos levou a tanta crise, nossa elite, nossos formadores de opinião, precisam ser menos ausentes”. Amoêdo acha que eles só se preocupam em “defender interesses particulares”.

O ex-ministro e ex-presidente da Câmara dos Deputados (2005 a 2007), Aldo Rebelo questionou qual a agenda que pode unificar governos, trabalhadores, intelectuais e empresários, de forma ampla e suprapartidária. Segundo ele, a agenda da retomada do desenvolvimento. “Não há saída para o país sem essa agenda. O Estado brasileiro virou um Estado esquizofrênico, porque de um lado o Estado rema a favor do desenvolvimento e de outro ele cria obstáculos, como por exemplo, parando obras”,  disse Rebelo.

Assessoria de Comunicação Social do MBC / Fotos: Tiago Mendes