Indústria 4.0 é tema de estudos premiados no Mercosul

Ativo 1 01 novembro, 2019

Pesquisadores e estudantes dos países do Mercosul participaram da cerimônia de entrega do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia 2018, nesta quinta-feira, 31, em Brasília. Dos cinco primeiros lugares, quatro desenvolveram o tema Indústria 4.0, com foco no setor de agronegócios.   

O brasileiro Tiago Gentil Ramires, vencedor da categoria Jovem Pesquisador, desenvolveu um modelo de análise de plantações de cana-de-açúcar para identificar onde há ervas daninhas e, com isso, evitar a aplicação de herbicidas em cima de toda a área da lavoura. O modelo desenvolvido por Ramires é baseado no mapeamento da plantação com o uso de um drone, que tira várias fotos. Com o uso de inteligência artificial, foi possível identificar os pontos exatos onde há erva daninha. “Adaptamos o drone para fazer pulverização local, o que reduz muito o custo”, contou. 

O uruguaioAlvaro Cabrera, do Uruguai, que venceu a categoria Estudante Universitário, identificou 31 competências necessárias para a transformação 4.0 no setor agropecuário. Entre elas estão conhecimento em informática, educação no campo, trabalho em equipe e resolução de problemas. O modelo pode ser aplicado a todas as empresas, independentemente de suas atividades serem focadas no setor agrícola ou outras áreas do setor produtivo.  “A indústria 4.0 traz grandes benefícios, mas terá um grande impacto no mercado de trabalho. O meu estudo é para adaptar isso”, disse. 

Já o vencedor da categoria Iniciação Científica, Vitor Emanoel Pereira, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense, de Macaé (RJ) desenvolveu um sistema que automatiza o cultivo hidropônico de alfaces, criando um sistema nos moldes da agricultura 4.0 com o uso de armazenamento em nuvem e conceito de internet das coisas. O projeto também propõe o reconhecimento visual de imagens para a classificação das alfaces como saudáveis ou não. 

O professor brasileiro Everton Tetila, da Universidade Federal da Grande Dourados, no Mato Grosso do Sul, foi vencedor da categoria Pesquisador Sênior, com trabalho que busca automatizar a identificação de insetos-praga da soja. O equipamento identifica as áreas que possuem os insetos através de imagens. Para isso, foi usado um sistema de Inteligência Artificial, mais especificamente aprendizagem profunda, que tem capacidade de identificar o tipo de insetos no campo. “Apesar de ser um tema que já foi muito explorado, não é um tema que está bem resolvido. Estudar isso é de extrema relevância especialmente para o Brasil, que é um dos maiores exportadores de soja”, afirmou Tetila. 

Já o primeiro lugar da categoria Integração foi para uma equipe de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) que estuda computadores de placa única utilizando software e hardware livres. O líder do grupo no Brasil, Marcelo Zuffo, recebeu a premiação de U$ 10 mil e informou, durante a cerimônia, que o recurso será usado para dar continuidade à pesquisa. estudo, chamado Caninos Loucos, trabalha com a criação de três computadores e um supercomputador. “Se o Produto Interno Bruto da Internet das Coisas, este ano, é US$ 1 trilhão, a América Latina tem que ter um quinhão nessa parte. Como não temos no Brasil grandes empresas de tecnologia nesse setor, a única estratégia são tecnologias abertas e livres. É o que estamos fazendo”, afirmou o pesquisador.  

O secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Julio Semeghini, abriu a cerimônia destacando a importância das pesquisas na área da Indústria 4.0. “Esse tema integra de maneira brilhante a visão da transformação digital, que está sendo feita no mundo inteiro. O Brasil é reconhecido no exterior por sua capacidade de pesquisa, por pessoas que fazem a diferença como os premiados que estão aqui hoje”, afirmou.  

A diretora executiva do Movimento Brasil Competitivo (MBC), Tatiana Ribeiro, destacou que os premiados, com suas pesquisas na área de tecnologia, são uma grande motivação para mudar a realidade brasileira. “É um orgulho imenso ter casos tão interessantes sendo premiados aqui hoje, com temas tão relevantes para a nova economia que está se desenvolvendo mundialmente”, disse. Tatiana afirmou ainda o tema está muito ligado ao que o MBC acredita. “Temos apoiado uma série de parcerias com o governo para que isso se desenvolva e avance”, contou. 

Nesta edição participaram 175 estudos de estudantes e pesquisadores residentes nos países membros ou associados ao Mercosul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela). Cada categoria receberá premiação em dinheiro. O vencedor da categoria Integração receberá US$ 10 mil; Pesquisador Sênior e Jovem Pesquisador, US$ 5 mil; Estudante Universitário e Iniciação Científica US$ 2 mil. Todos receberão troféus. E as Menções Honrosas recebem homenagem e placas. 

O Prêmio 

Instituído em 1997 pela Reunião Especializada em Ciência e Tecnologia do Mercosul (RECyT), o Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia busca incentivar e reconhecer pesquisadores com estudos que apresentem potencial contribuição para o desenvolvimento científico e tecnológico da região. Além disso, contribui para o processo de integração dos países do bloco, por meio do estímulo à difusão das realizações e dos avanços científicos e tecnológicos. O Prêmio é realizado pelo MCTIC e apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do MBC, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva da Argentina, do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia do Paraguai e do Ministério da Educação e Cultura do Uruguai. 

Assessoria de Comunicação Social do MBC com informações da Agência Brasil 

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