Debate promovido pelo MBC mostra que educação deve ser prioridade

Ativo 1 06 dezembro, 2017

A crise é profunda e as reformas são essenciais para tornar a máquina pública mais eficiente e alavancar o crescimento. Mas na hora de decidir onde cortar, é preciso tomar cuidado para que o tiro não saia pela culatra. Afinal, investimentos em áreas sociais também são motores do desenvolvimento.

Foi o que disseram os participantes do Encontro Anual 2017 do MBC, realizado nesta segunda-feira, 4, em São Paulo. Eles concordaram que o investimento em educação deve continuar sendo prioritário e apontaram suas preferências sobre a forma como as políticas públicas devem ser postas em prática.

O primeiro a falar foi o economista e cientista político Ricardo Sennes, que definiu o capitalismo brasileiro como “travado”. Ele acha que o Brasil não soube tratar da agenda da produtividade, o que fez com que os novos empregos gerados sejam menos produtivos do que os que existiam antes, ou do mesmo nível, na melhor das hipóteses.

“Isso é fatal, porque compromete a instituição e os fundamentos socioeconômicos. Isolar qualquer uma dessas agendas não parece viável. Olhar a economia e não olhar a desigualdade não sustenta um desenvolvimento minimamente estável”, afirmou Sennes. Ele destacou avanços na história recente do país, como a redução da desigualdade, o fato de a população ser mais saudável e viver mais, e o aumento do acesso à educação. Neste caso, mencionou a erradicação do analfabetismo na faixa etária de 15 a 17 anos e a evolução dos ingressos de alunos no ensino superior.

Depois da fala do economista, houve um debate entre políticos, o que contribuiu para a pluralidade das discussões. João Amoêdo, um dos fundadores do Partido Novo, fez duras críticas ao Estado brasileiro, segundo ele paternalista e ineficiente. Criticou a dificuldade para empreender, disse que os serviços públicos são péssimos e opinou que os brasileiros precisam ter mais liberdade e serem menos tutelados pelo Estado.

 

Nesse contexto, Amoêdo sugeriu uma mudança na forma como se utiliza o orçamento educacional. “Precisamos de mais investimento em educação básica e certamente menos no ensino superior. A gente tem hoje uma curva invertida, em que o pobre acaba pagando pelo ensino do mais rico”. Na visão dele, concentrar investimentos em educação básica formaria cidadãos mais propícios ao empreendedorismo.

Fernando Haddad, ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, lembrou que o investimento em educação cresceu desde 2005, chegando a mais de 5% do PIB (Produto Interno Bruto), e esclareceu que apenas 1% é aplicado no ensino superior. “Fazer oposição entre educação básica e superior é pensar errado, pensar pequeno. Precisamos investir em todo o ciclo educacional”.

Haddad enfatizou os investimentos realizados pelo Estado brasileiro em educação básica (tanto em qualidade como em quantidade) e defendeu a qualidade do ensino superior brasileiro, segundo ele o melhor entre os países latino-americanos com base na produção acadêmica. O ex-ministro destacou o fato de 50% dos alunos de universidades federais serem egressos do sistema público de ensino.

Haddad fez ainda um apanhado histórico dos investimentos em educação nos últimos 130 anos, desde a abolição da escravidão, e reconheceu que, de modo geral, o Brasil realmente fez pouco. Mas destacou avanços nas últimas três décadas, desde a redemocratização, e defendeu que o país continue evoluindo nesse sentido. “Se fizer um ajuste fiscal às custas da educação, talvez esse país não seja digno de ter um futuro”.

Além de Amoêdo e Haddad, o debate reuniu o ex-ministro Aldo Rebelo e os governadores Marconi Perillo (Goiás) e Paulo Hartung (Espírito Santo). O mediador foi o jornalista Rui Nogueira e o anfitrião do evento foi o diretor presidente do MBC, Claudio Gastal.

Assessoria de Comunicação do MBC / Fotos: Tiago Mendes