Brasil terá primeiro programa de mestrado e doutorado em Indústria 4.0

Ativo 1 10 setembro, 2018

A Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e a Universidade do Porto, em parceria com a Universidade Estadual do Amazonas (UEA), vão oferecer turmas especiais para estudantes brasileiros de mestrado e doutorado em engenharia mecânica e gestão industrial com ênfase na Indústria 4.0. A cooperação, articulada pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e anunciada na última quinta-feira, 6, em Brasília, faz parte das medidas previstas na Agenda Brasileira para a Indústria 4.0, lançada pelo governo federal em março deste ano.

O objetivo é qualificar mão de obra para desenvolver e consolidar a 4ª Revolução Industrial na Região Amazônica Ocidental. Este é o primeiro programa de mestrado e doutorado do Brasil que abordará o tema “Industria 4.0” como linha de pesquisa. As aulas devem começar no final de outubro e está previsto o ingresso de 15 alunos no doutorado e 30 no mestrado. Eles terão dupla titulação e podem ter aulas tanto no Brasil quanto em Portugal, ministradas pelo corpo docente da UFAM, da Universidade do Porto, e da UEA. O programa prevê ainda aulas com dois pesquisadores convidados da comunidade científica brasileira.

A seleção dos candidatos, que devem ser brasileiros, será realizada através da análise de currículo acadêmico, carta de motivação, apresentação de proposta de pesquisa, incluindo cópias de trabalhos de pesquisa apresentados e publicados ou aceitos para publicação em periódicos, conferências ou eventos similares. Também será realizada uma entrevista com a comissão de seleção.

O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge, ressalta a importância de se garantir a formação, em níveis de mestrado e doutorado, de profissionais com foco nos conceitos da Indústria 4.0.  “Queremos qualificar engenheiros que deverão interagir na implementação e amadurecimento da 4ª Revolução Industrial em todo o país, mas com mais ênfase na Zona Franca de Manaus. Com isso, colaboramos para o adensamento tecnológico do nosso parque industrial, seja ele instalado no Polo Industrial de Manaus, seja instalado em outra região do país”, afirma o ministro.

Ele cita ainda a qualidade do corpo docente envolvido e o avanço do conhecimento científico e tecnológico em Portugal, em especial no que se refere aos novos conceitos da indústria 4.0. “O corpo docente e os pesquisadores da Universidade do Porto têm demonstrado ser possível explorar novas oportunidades, particularmente no que se refere ao empreendedorismo e à transferência do conhecimento, à inovação e à investigação aplicada, no sentido de aumentar o impacto da investigação e inovação na economia em termos globalizados”, completa.

A meta do programa é titular no mínimo 80% dos alunos no prazo de quatro anos para o doutorado e dois anos para o mestrado, prorrogáveis por mais seis meses. A iniciativa também espera a conclusão de pelo menos 12 teses de doutorado em Engenharia Industrial até 2022 e 24 dissertações de mestrado até 2020, a publicação de pelo menos 30 trabalhos em revistas de circulação Internacional e de pelo menos 40 trabalhos em congressos da área.

A gestão financeira do projeto estará ao encargo de uma Fundação de Apoio à Universidade Federal do Amazonas. Para o primeiro ano de funcionamento, a gestão estará ao encargo da Fundação de Apoio Muraki que poderá ser mantida ou ficar ao encargo de outra Fundação de Apoio Institucional sediada no Amazonas ou em Portugal, conforme a conveniência das partes envolvidas e acordos a serem negociados com os parceiros mantenedores do projeto.

Agenda Brasileira

A Agenda Brasileira para a Indústria 4.0 traz um conjunto de ações para auxiliar o setor produtivo em direção ao futuro da produção industrial. São 10 medidas pragmáticas e concretas que vão desde a sensibilização e engajamento das indústrias, passando pela prototipação e testes de fábricas do futuro, requisitos legais e de talentos, financiabilidade e conexões globais. As medidas estão detalhadas no site www.industria40.gov.br.

Como parte da agenda, foi publicada, em maio, uma resolução para estimular a migração das fábricas instaladas na Zona Franca de Manaus para o conceito de Indústria 4.0. O texto permite que as empresas que produzem bens de informática na Amazônia Ocidental e no estado do Amapá apresentem – em sua programação obrigatória de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação para a obtenção de incentivos fiscais específicos da região – atividades orientadas para sua atualização tecnológica e capacitação rumo à Indústria 4.0. A resolução determina que sejam reconhecidos como dispêndios em atividades de PD&I os gastos na execução ou contratação das atividades que se refiram à aquisição de máquinas e equipamentos 4.0 – como robôs industriais e colaborativos, sensores, máquinas de comunicação avançada, etc.

“A estratégia para a Indústria 4.0 visa fomentar a modernização das indústrias de todo o país para que possamos trazer conceitos de internet das coisas, de inteligência artificial, robôs colaborativos para dentro das nossas indústrias e possamos assim ser mais produtivos e competitivos e não ficarmos atrás de países que estão mais avançados nessa temática”, afirma o ministro Marcos Jorge.

Fonte: MDIC