13.08.2010
Redes inteligentes de energia vão beneficiar pequenos negócios
Fonte: Incorporativa Negócios e Oportunidades
Um projeto da multinacional norte-americana Cisco com a General Eletric e a
Florida Power & Light (companhia de energia elétrica) deverá colocar Miami,
na Flórida, no centro das discussões mundiais sobre consumo de energia em 2011.
Estão sendo investidos na cidade US$ 200 milhões para conectar em redes
inteligentes de energia (smart grid) cerca de 1 milhão de pessoas.
O
projeto começou no final de 2009 e serão instalados medidores inteligentes em
cerca de 1.000 residências registradas em um estudo avançado que irá
transformá-las em residências inteligentes, com painéis de controle e
termostatos que irão ajudar a gerenciar as cargas elétricas e reduzir o consumo
de energia durante períodos de pico.
A companhia de energia elétrica irá
utilizar 300 veículos movidos à energia elétrica, com 50 estações de
abastecimento em toda a cidade de Miami. O projeto foi apresentado nesta
terça-feira (27) por Fernando Rodrigues, gerente de vendas de redes inteligentes
da GE no Brasil, durante o 8º Congresso Internacional Brasil Competitivo 2010,
promovido pelo Movimento Brasil Competitivo.
"Hoje as grandes empresas
já têm tarifas diferenciadas. O grande beneficiado deste sistema será o
consumidor final e as pequenas empresas, que poderão vender energia solar
excedente acumulada em suas propriedades por meio de painéis solares", explicou
Rodrigues. No Painel, 'Redes Inteligentes: desenvolvimento, regulação e
competitividade no Brasil', três grandes empresas (IBM, GE Energy e CPFL
Energia) abordaram a importância da renovação da matriz energética mundial, com
aproveitamento inteligente da energia nos países.
"Acreditamos que os
próximos 20 anos trarão transformações determinantes para o setor. Temos que
motivar a inovação", explicou o executivo de consultoria para Energia e
Utilidades da IBM, Dario Soares de Almeida. Segundo ele, o Brasil deve aprender
com o que já existe e construir um modelo próprio de redes tecnológicas no
Brasil. "O mundo está cada vez mais estruturado e inteligente, viabilizando os
programas de smart grid. A energia é infraestrutura básica de desenvolvimento e
competitividade".
Segundo Almeida, há seis grandes motivos para a
mudança na geração e distribuição de energia no mundo: mudanças climáticas e
preocupações ambientais; crescimento das energias renováveis, novas tecnologias
disruptivas (carros elétricos e armazenamento de energia), envelhecimento da
infraestrutura e desejo do consumidor pela administração da própria
energia.
Entre os principais beneficiados, estarão os consumidores e as
micro e pequenas empresas. que terão mais poder sobre seu próprio consumo de
eletricidade. Com liberdade para escolher a fonte, eles poderão, também, gerar
energia para o sistema. Além disso, as distribuidoras deixarão de ser meras
fornecedoras de energia, para se tornarem prestadoras de serviço, como acontece
com as empresas de telefonia.
No Brasil
O Brasil possui 65 milhões
de consumidores de energia elétrica. Apenas 7,4% dos 63 milhões de medidores do
País são eletrônicos. O restante ainda é eletromecânico, o que requer leitura
presencial e é mais suscetível a fraudes, segundo a Associação de Empresas
Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações
(Aptel).
A Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica,
em parceria com a Aptel e mais 32 distribuidoras no País, estão elaborando uma
proposta para um Plano Brasileiro de Redes Inteligentes. "A idéia é elaborar de
um relatório com os possíveis cenários para a migração do setor elétrico
brasileiro em direção à adoção do conceito de rede inteligente que será entregue
ao governo federal", disse o gerente de Inovação e Tecnologia da CPFL
Energia.
Estão sendo pesquisados, segundo ele, medição inteligente,
automação da distribuição e da transmissão e geração e armazenamento e veículos
elétricos. O documento deverá ficar pronto até fevereiro de 2011.