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Espírito Santo
01.11.2009


“Modernização da gestão é o maior desafio para empresas”

Professor aposentado da Universidade Federal do Espírito Santo, pelo Departamento de Economia, Orlando Caliman integra a ONG empresarial Espírito Santo em Ação, que é parceira do Prêmio MPE Brasil ES  e que tem realizado ações pelo desenvolvimento regional. Ocupante de vários cargos públicos e intelectual respeitado, Caliman fala, nesta entrevista, que um dos méritos do Prêmio é apontar o caminho para se alcançar à competitividade, sinalizando os padrões de excelência e de comparação para o sucesso de uma empresa. Para ele, a modernização da gestão é o maior desafio e o ponto de partida para obter resultados.
Orlando Caliman também já ocupou vários cargos públicos. Foi presidente do IJSN – Instituto Jones do Santos Neves e do Bandes - Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo, além de secretário estadual do Planejamento e da Fazenda. Atuante nas causas de interesse coletivo, ele, atualmente, preside o Conselho de Ética Pública da Administração Estadual. Mesmo aposentado, continua suas atividades profissionais de economista como sócio-diretor do Instituto Futura, especializado em pesquisas e estudos socioeconômicos e políticos.

Como o senhor avalia o nível da competitividade das empresas capixabas, que na maioria são micro e de pequeno porte?
Orlando Caliman - Eu pessoalmente acredito que as empresas capixabas estejam localizadas acima da média nacional em termos de competitividade. Naturalmente, estamos longe do desejado, como também acontece com a economia brasileira como um todo. Mas acho que todo o trabalho que vem sendo feito por meio do Compete-ES, nas várias frentes, está ajudando muito na melhoria da nossa competitividade, principalmente aquela que depende da adoção de ferramentas modernas e inovadoras no campo da gestão.

Qual a importância das micro e pequenas empresas para a economia local?

Orlando Caliman -
elas têm uma importância fundamental na formação do tecido produtivo capixaba e também nacional. Pelas suas características, formam verdadeiras fontes geradoras de equilíbrio econômico e social, por serem grandes geradoras de emprego, renda e qualidade de vida, além de proporcionarem um campo enorme para o estabelecimento de uma verdadeira teia de relações econômicas e sociais. As micro e pequenas empresas geram e fazem fluir riquezas sob diferentes formas e complexidade, representadas por produtos e serviços. São também fontes de aprendizado para a convivência num mundo globalizado e cada vez mais complexo e exigente.

Em relação ao nível de competitividade, como comparar essas empresas locais de pequeno porte em relação às demais regiões do país?

Orlando Caliman - Não disponho no momento de indicadores que possam expressar tais diferenças. Apenas posso perceber que o Espírito Santo está no pelotão da frente quando a questão é desenvolvimento de ações que tenham como propósito melhorar a competitividade das empresas. E isso pode ser observado nos trabalhos desenvolvidos dentro do Compete-ES, no Sebrae-ES, no Bandes, no próprio Movimento Empresarial Espírito Santo em Ação.


Qual é o maior desafio para essas empresas capixabas, considerando que são micro e pequenas?

Orlando Caliman - Talvez o maior desafio estaria na modernização da gestão. Gestão é o ponto de partida para que outras coisas aconteçam como o planejamento, a inovação e a própria capacidade de alcançar desafios. Por meio da modernização da gestão, é possível trabalhar com um nível de acerto maior – menor risco -, facilitando o acesso ao conhecimento e às informações mais
estratégicas. A maioria dos insucessos é proveniente da falta de uma boa gestão.
 

Como o MPE Brasil contribui para melhorar a competitividade dessas empresas locais?

Orlando Caliman - O MPE não somente sinaliza para onde se deve ir em termos de competitividade, mas principalmente como esse caminho pode ser construído. Sinaliza para padrões de excelência e estabelece parâmetros de comparação que servem como desafio para quem deseja chegar lá. Dessa forma, sinaliza e mostra  como se forma o binômio responsável pelo êxito da proposta.

Qual a avaliação que o senhor faz do movimento nacional existente para o estímulo da qualidade, produtividade e competitividade, do qual o MPE Brasil faz parte? E como ele tem repercutido no Espírito Santo?

Orlando Caliman - No Espírito Santo, o MPE tem sido um sucesso que pode ser comprovado pela adesão crescente de empresas. Assim, eu avalio como fundamental esse movimento para a difusão de práticas eficientes e eficazes de gestão.

Já daria para falar em resultados?

Orlando Caliman - Posso falar do Espírito Santo. Não importa tanto os números, mas sim a direção da mudança. E isso pode ser visto pela qualidade dos serviços e produtos ofertados pelas empresas que passaram a adotar ferramentas modernas de gestão. Várias delas, inclusive, se qualificaram para fornecer para grandes e mais exigentes clientes. É algo que se aprende e não se esquece, pois dá resultados.

Qual a sua opinião sobre o MEG (Modelo de Excelência e Gestão), aplicado pelas empresas que participam do MPE Brasil, na busca da qualidade? 

Orlando Caliman - Os modelos são importantes, pois funcionam como verdadeiros modelos mentais. Assim acontece também com o MEG, que passa a fazer parte da lógica das decisões e ações dentro da empresa. Ele gera um padrão de comportamento que se espalha, que motiva e que vira referência.

O que representa para o Espírito Santo em Ação ser parceiro na realização do MPE Brasil no Estado?
Orlando Caliman - Trata-se de um trabalho que pressupõe um acentuado nível de cooperação entre os participantes. Cooperação e parceria. Para o Espírito Santo em Ação, constitui uma forma de melhorar não somente o capital humano representado pelos pequenos empresários, mas também o capital social. O Movimento entende que as empresas, mais em especial as pequenas e médias, podem desempenhar um papel importante, para não dizer fundamental, na construção de uma sociedade moderna, includente, justa e desenvolvida. As pequenas empresas também são transformadoras da sociedade.
 
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