19.11.2008
Empresas cortam despesas e demitem mais de 600 no ES
Fonte: A Gazeta - Economia
O motivo dessa desmobilização é a redução de produção já anunciada pela Vale, pela ArcelorMittal Tubarão e pela Aracruz Celulose, além da situação financeira complicada por que passa a produtora de celulose.
O presidente do Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico (CDMEC), Fausto Frizzera, classificou a redução de efetivo como "monstruosa" e disse que mais demissões virão. "O nosso setor vive de prestação de serviços, e todas as grandes plantas estão diminuindo o ritmo das atividades. Algumas das expansões programadas ainda não estão garantidas, por isso, estamos reduzindo nosso efetivo monstruosamente".
"Estávamos preparados, qualificando mão-de-obra, fazendo campanha para que as pessoas entrassem em um curso técnico e, no auge de tudo isso, começa a crise. Foi um tiro contra a evolução do setor e, em 2009, deve ser ainda pior. Num primeiro momento, cerca de 600 perderam o emprego, inclusive engenheiros. Muitas empresas estão sem carteira de serviços. Outro problema é a falta de capital de giro, além do aumento das taxas de juros", acrescentou.
Sobrou para o cafezinho
Apesar do cenário nebuloso, o presidente do CDMEC procura manter o otimismo e tranqüilizar os trabalhadores. "Estamos cortando gastos e tentando diversificar as atividades e os clientes. Estamos cortando na própria carne para suportar a crise e manter nossas equipes. A situação é grave, mas estamos trabalhando muito para reduzir os custos e respirar um pouco", ressaltou.
Diante da crise financeira, as empresas reduziram gastos com energia, com gasolina e com deslocamentos. Viagens que antes eram feitas de avião agora são de ônibus, e até o tradicional cafezinho está sendo racionado.
A direção da Vale, empresa que antecipou a parada de duas de suas sete usinas de pelotização no Estado, informou que as medidas adotadas até agora são adequações da empresa à situação mundial.
A crise reduziu a produção de aço, cuja produção depende do minério de ferro, o que provocou mudança nos planos da empresa e a adequação dos projetos e gastos.
Empresário diz que vendas caíram 50%
O empresário Moacyr Bourguignon Esteves, que fornece juntas de vedação industrial para Vale, Samarco, ArcelorMittal Tubarão, Aracruz Celulose e para pedreiras de todo o Estado, diz que suas vendas e seu faturamento caíram mais de 50% nos últimos três meses.
"As vendas caíram muito, mais de 50%. Em agosto e setembro, operei no vermelho. Já tive 23 pedidos para cancelar ordem de compras, alguns foram feitos quando as peças já estavam prontas e com a nota fiscal tirada, aí não teve como suspender, mas cinco pedidos acabaram sendo cancelados".
Esteves conta que ainda não demitiu, mas vai ser difícil de segurar. "Ainda não estou pensando em demissões, tenho como administrar essa queda de mais de 50% no faturamento até fevereiro sem mandar ninguém embora, mas não acredito que essa paradeira seja resolvida até lá. Por isso, acredito que terei de cortar pessoal", lamenta.
Matéria-prima
34% queda no preço
Os preços das matérias-primas deverão cair 34% em 2009, segundo os cálculos de nove membros do grupo Aiece, que reúne 44 institutos de estudos econômicos da Europa. Culpa da crise econômica.
GM, Ford e Chrysler pedem mais incentivos
Os presidentes executivos da General Motors, Ford e Chrysler tentaram ontem convencer os parlamentares americanos a duplicarem a ajuda concedida ao setor automobilístico, depois da liberação em setembro de uma verba de US$ 25 bi que ainda não foi distribuída. Alan Mullaly (Ford), Robert Nardelli (Chrysler) e Richard Wagoner (GM) compareceram ontem ante o comitê bancário do Senado, a quem pedem outros US$ 25 bi para evitar um golpe na indústria automotiva. Entretanto, o democrata Chris Dodd, presidente do comitê, advertiu que não conhecia "um único republicano disposto a apoiar" o resgate das montadoras, abaladas pela crise. O secretário do Tesouro, Henry Paulson, avisou ontem que o plano de resgate do sistema financeiro "não é a panacéia para todas as dificuldades econômicas".
Números de novembro
2,9 milhões
de toneladas de minério foram embarcadas em Tubarão até ontem. O normal seriam 5,5 milhões.
20 navios até ontem
É número de navios que foram carregados
em Tubarão. Num
mês normal já seriam mais de 40.
Embarques caem pela metade no porto
Uma das explicações para o início das demissões na Vale e para a desmobilização do setor metalmecânico pode estar no Porto de Tubarão. Segundo uma fonte que trabalha na mineradora, o movimento no terminal está bem abaixo da normalidade.
Até ontem apenas 2,9 milhões de toneladas de minério tinham sido embarcadas pela companhia. Em um mês normal já seriam cerca de 5,5 milhões. Para se ter uma idéia, no mês passado, foram 8,6 milhões de toneladas embarcadas.
Traduzindo: em quantidade de embarcações, do início do mês até esta terça-feira, 20 navios tinham sido carregados. Se o porto tivesse operando normalmente, esse número passaria de 40. Em outubro foram 62 embarques.
Para o presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Findes, Andreas Schilte, a redução das atividades portuárias é reflexo da crise mundial.
"O ritmo de compras no mundo todo está menor, isso é geral e atinge todos os setores da economia", explicou.
O vice-presidente do Sindiex, Marcílio Machado, afirma que a movimentação no Porto de Vitória também já caiu. "Quem importa está esperando o dólar baixar e quem exporta não está conseguindo vender porque o mercado externo está bem devagar. Hoje nossos pátios e retroáreas estão cheios de produtos estocados".
Machado destacou que ainda não há ameaça de demissões e que os empresários estão aguardando 2009 para terem uma melhor visão de como a crise vai atingir o setor.
Aracruz nomeia dois novos diretores
Além de alterar os planos de produção de celulose, a crise financeira provocou também mudanças na diretoria executiva da Aracruz Celulose, conforme anunciou ontem a empresa, por meio de nota oficial. Foram nomeados os executivos Marcos Grodetzky e Evandro Coura.
O economista Marcos Grodetzky, com mais de 25 anos de experiência no mercado de capitais, assumirá a gestão financeira e de relações com investidores da Aracruz, em substituição a Valdir Roque, que pediu afastamento.
Já o engenheiro, com pós-graduação em Administração, Evandro Carlos Camillo Coura tem 29 anos de experiência profissional e assumirá a nova diretoria de controle da Aracruz.
No início de novembro, a direção da Aracruz Celulose informou a realização de prejuízo de US$ 2,13 bi devido a aplicações feitas em apostas cambiais, feitas por meio de derivativos.
Devido a esse prejuízo, várias medidas foram adotadas pela empresa, como suspensão da compra de material e de insumos, suspensão de compra de terras e de novos plantios e a antecipação para outubro a parada técnica das fábricas A e B, de Barra do Riacho, prevista para o próximo ano.
Sindicato terá reunião com a Vale sobre a crise
Na próxima sexta-feira, diretores do departamento de recursos humanos da Vale estarão no Estado discutindo com o Sindicato dos Ferroviários (Sindfer) as medidas que a multinacional está adotando quanto ao quadro de pessoal, após anunciar redução na produção por causa da crise mundial. O presidente do Sindfer, João Batista Cavaglieri, afirmou que o sindicato ainda não homologou nenhuma demissão depois que a companhia declarou a paralisação das usinas.
Está na hora de as pessoas aprenderem a fazer bons negócios, de comprarem o carro mais barato e a televisão mais barata"
Quem está endividado tem de pagar a dívida e não fazer novas despesas. Quem não está pode comprar à vontade e aproveitar as oportunidades"
Luiz Inácio Lula da Silva , presidente da República, ontem, aconselhando consumidores