11/04/2012
Chegamos a 2012 como a sexta economia do mundo e com a percepção externa de que somos um alavancador do crescimento na América do Sul e um ator relevante na política mundial. Também somos reconhecidos por nossa estabilidade política, por praticamente 18 anos de estabilidade econômica, por promover inclusão social ao retirar da pobreza mais de 30 milhões de brasileiros nos últimos oito anos e ampliar significativamente nossa classe média, por nossa matriz energética limpa, além de toda nossa vasta riqueza em recursos naturais. Em 2011 recebemos US$ 66.7 bilhões em investimento direto estrangeiro, um recorde comparado aos já significativos US$ 48.5 bilhões recebidos em 2010. Temos muito a comemorar e é preciso fazê-lo, reconhecer os avanços! Nos 10 anos de existência do Movimento Brasil Competitivo (MBC), muito discutimos os fatores de competitividade do País e procuramos apontar soluções para os desafios, mas também premiamos e fizemos o reconhecimento público de iniciativas de sucesso. Parabéns ao MBC por seu papel de articulador entre setor privado, setor público e academia, por liderar a discussão de temas estratégicos para o Brasil e por dar visibilidade às boas práticas!
Com o reconhecimento das conquistas vem também a consciência de que ainda há muito a fazer. Para construirmos uma sociedade mais moderna, justa e sustentável, precisamos de conhecimento, inovação, boa gestão, com transparência e cumprimento às leis, sem corrupção. Para tanto, o investimento em educação de qualidade é essencial e urgente, pois os resultados demoram a aparecer e educação é base para todo o resto. Precisamos melhorar o ensino básico, mas também assegurar ensino técnico-profissionalizante conectado às tendências de mercado, bem como promover a formação de líderes. Em 2011 a GE passou a patrocinar o Prêmio Jovem Cientista. Em parceria com a Fundação Roberto Marinho, o CNPq e a Gerdau, cobrimos mais de 28 mil institutos de pesquisa e ensino, recebendo 2.321 projetos de pesquisa que apresentavam soluções para Cidades Sustentáveis. São jovens do ensino médio, técnico e universitário que estão usando a pesquisa científica para propor soluções para nossas cidades, para o dia-a-dia de todos nós. Fazemos com que esses jovens acreditem que seus sonhos são possíveis, como o de um futuro melhor para suas carreiras e suas cidades. Nesse ano, os ganhadores de 2011 visitarão o centro de pesquisa da GE em Niskayuna, EUA, onde um dia Thomas Edison teve esse mesmo sonho e criou a empresa em que trabalhamos além de muitas das inovações que contribuiram para o desenvolvimento da humanidade.
Quanto à inovação, em janeiro de 2012 a GE divulgou os resultados de seu “Barômetro da Inovação”, uma pesquisa com 2.800 executivos sênior e conduzida por uma empresa independente em 22 países. Em suma, as conclusões do Barômetro reforçam o valor da inovação, apontam o livre comércio como alavanca de crescimento e competitividade, e o retorno político e econômico do investimento em infraestrutura. Portanto, o crescente protecionismo que temos presenciado, principalmente após a crise de 2008-2009, é motivo de grande preocupação. Precisamos nos capacitar para competir globalmente com talento, custos menores, processos mais eficientes. Precisamos do ambiente adequado para que o investimento em inovação aconteça de forma natural e crescente porque faz sentido investir no Brasil.
Na GE acreditamos que “se dá para imaginar, dá para fazer”. Vamos imaginar o Brasil que queremos, com melhores condições de vida para a população, com educação e saúde de qualidade para todos. Respeitando os recursos naturais e as leis. Com uma economia pujante, à base de tecnologias inovadoras, infraestrutura moderna e eficiente, com sustentabilidade. E vamos continuar trabalhando para que isso se torne uma realidade.
Governo, empresas, academia, cada qual tem o seu papel. Enquanto os governos facilitam o desenvolvimento sustentável com o marco regulatório adequado (proteção à propriedade intelectual, redução da carga tributária, combate à corrupção, respeito às leis, redução da informalidade, da criminalidade, etc.), academia e empresas devem buscar trabalhar cada vez mais próximas em pesquisa e no desenvolvimento de soluções aos desafios crescentes da humanidade. O Brasil tem se destacado internacionalmente no campo da responsabilidade social, tendo sido o primeiro país a elaborar uma norma nacional dedicada ao assunto (norma 16001 da ABNT de 2004) e inspirado outros países a criar um índice de sustentabilidade empresarial (ISE da Bovespa em 2005). Além disso, temos potencial para liderar a construção de uma economia mais verde e inclusiva, graças a, entre outros fatores, nossa riqueza em fontes de energia renováveis. Vamos aproveitar esta força transformadora que existe em nossa sociedade, canalizá-la para a colaboração e continuar avançando no que ainda precisa ser feito. Como diria Rudolf Steiner, “Nós trazemos em nós as consequências das ações do passado; somos escravos do passado, mas senhores do futuro.”
Teremos mais condições de destaque neste mundo globalizado melhorando os fatores de competitividade, como veementemente trabalhado pelo MBC, com foco nos resultados e disposição para avançar de forma colaborativa na direção do próximo desafio.
Adriana Machado - Presidente da General Electric e Associada Mantenedora do MBC
Publicado no Relatório Anual 2011 do MBC – Edição Especial de 10 Anos
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