Primeira construtora do país a ser reconhecida como de Classe Mundial, a Joal Teitelbaum iniciou suas atividades em 1961. Nestes 47 anos de atuação na área da construção civil, contabiliza mais de 450 mil metros quadrados edificados no Estado. O Escritório de Engenharia Joal Teitelbaum tem sua gestão estruturada nos critérios de excelência da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) e de avaliação do Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade (PGQP) tendo conquistado, em 2003, o Prêmio Nacional da Qualidade. Os colaboradores recebem treinamento da Política da Qualidade, Procedimentos Operacionais, Meio Ambiente, Saúde, Segurança Procedimentos Operacionais, 5Ss, Coleta de Lixo Seletivo e Técnicas de Racionalização de Água e Energia. Acompanhe entrevista com Cláudio Teitelbaum, Diretor de Qualidade e Relacionamento com o Cliente, que falará sobre os processos de Qualidade implantados pelo Escritório de Engenharia Joal Teitelbaum.
Equipe Editorial: O Escritório de Engenharia Joal Teitelbaum está engajado há quanto tempo na Gestão da Qualidade?
Cláudio Teitelbaum: Desde que foi fundado, em 1961, pelo Engenheiro Joal Teitelbaum, existe uma preocupação forte com a gestão da qualidade. Mais especificamente, no ano de 1991, foi dado início formal do Programa de Qualidade na empresa.
Equipe Editorial: Como foi o início do processo e quais são os passos necessários para iniciar uma base forte para a construção da Qualidade?
Teitelbaum: O início formal do Programa foi em 1991, com o desenvolvimento de vários trabalhos técnicos de normatização, padronização, integração de colaboradores e fornecedores e gestão ambiental. Em 1996, com a assinatura da adesão ao PGQP, iniciou-se uma grande transformação, através do engajamento de todos na busca da melhoria constante da qualidade de nossos processos. A grande vantagem do PGQP é que seu sistema de avaliação não é prescritivo ou focado em um prêmio, consistindo em um excelente guia para a melhoria contínua.
Equipe Editorial: Pela experiência que a Joal Teitelbaum possui, quais são os passos necessários para iniciar uma base forte para a construção da qualidade em uma organização?
Teitelbaum: O primeiro passo é definir o rumo e ter a qualidade como meio de transporte. Isso está presente no nosso planejamento estratégico e permeia por toda a organização. Adotamos como paradigmas a “não conformidade”, ou seja, não aceitar processos de gestão de pessoas ou insumos que não tenham a aprovação das normas técnicas; combater incansavelmente o desperdício; medir os resultados e estabelecer de forma fidedigna o Balanced Scorecard, além de termos uma ação participativa com responsabilidade social e ética, tecnológica e humana, inspirando e também comprovando a fidúcia de nossas ações. A partir de 1996, com a nossa adesão ao PGQP, os processos de gestão do Escritório de Engenharia Joal Teitelbaum passaram a utilizar um comprovado componente científico. Com a conquista do Prêmio Nacional da Qualidade 2003 e de todas as etapas do Prêmio Qualidade RS, conquistando por duas vezes o Troféu Diamante, a empresa tornou-se modelo nacional de excelência em gestão.
Equipe Editorial: Qual o principal desafio encontrado para implantar o processo de gestão da Qualidade?
Teitelbaum: É preciso lembrar sempre que processos de gestão são concretizados com pessoas e mobilizá-las é o principal desafio. A teoria está nos livros, a sabedoria está nas pessoas ao discernir como usar esta sabedoria. Um gestor de sucesso deve ser empreendedor, ter discernimento para escolher entre o certo e o equivocado, ter responsabilidade social e ambiental, traçar o rumo tendo flexibilidade na medida certa para proceder às correções adequadas. Também deve ter consciência que estamos vivendo a era das inovações na velocidade da luz e que planejar com qualidade não é figura de retórica e que, da mesma forma que processos e equipamentos inovadores são disponibilizados de forma acelerada, também devemos aprimorar e treinar as pessoas, não simplesmente para maiores lucros, mas também para melhores resultados globais.
Equipe Editorial: Em 2003 o Escritório foi agraciado com o Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ). Quais os fatores decisivos para esta conquista?
Teitelbaum: O fator fundamental é a sistematização dos processos, usando o Modelo de Excelência em Gestão da Fundação Nacional da Qualidade de forma ampla, com a participação de todos os envolvidos no processo. Tudo foi fundamentado em nosso Planejamento Estratégico, onde o Balanced Scorecard nos ajudou a gerir resultados através de indicadores com foco no futuro. Desta forma, com a liderança comprometida, com visão de longo prazo, atuando responsavelmente através de seus colaboradores e parceiros com processos estruturados, a melhoria da gestão ocorre naturalmente. O início, através da participação no PGQP, desde 1996, com certeza foi fundamental para a consolidação do processo.
Equipe Editorial: Atuar sob um modelo de gestão reconhecido e de alta performance contribuiu para a expansão do seu mercado? Como isso ocorreu desde então?
Teitelbaum: Com certeza. Os reconhecimentos do PGQP, desde 1999, já vinham dando esta visibilidade (somos a única construtora a ter conquistado o Troféu Diamante do PGQP). A conquista do PNQ, em 2003, potencializou esta visibilidade. Com isso, passamos a ser procurados por empresas de atuação nacional e internacional. Para se ter uma idéia, em 2004, um ano após a inédita conquista no setor, recebemos mais de 50 visitas técnicas. Esta conquista também nos abriu mercado em novas unidades de negócio, criadas após 2004: o gerenciamento de obras para terceiros e a consultoria em sistemas de gestão.
Equipe Editorial: O século XXI deverá ser o período da Sustentabilidade. Como o senhor vê esta questão? Como está o engajamento do Escritório com o desenvolvimento sustentável?
Teitelbaum: A Joal Teitelbaum possui uma longa tradição na consideração dos elementos de sustentabilidade no projeto e no gerenciamento de seus empreendimentos. Em 1995, foi instituído na empresa o Processo CONSERVE (Construção a Serviço da Ecologia), com o propósito de compatibilizar suas construções com o ambiente em que são edificadas. Este processo é composto de manuais e procedimentos que visam a aplicar um fator de rendimento para cada obra, na fase de projeto, construção e após a entrega. A partir de 1998, após uma exitosa parceria com o Centro Nacional de Tecnologias Limpas (CNTL), estabeleceu em seus empreendimentos os ECOTIMES (Times de Ecologia), onde os próprios funcionários e colaboradores, dos canteiros de obras, buscam estabelecer Técnicas de Produção Mais Limpa nos locais de trabalho e nos processos em que atuam, como estrutura, alvenarias e revestimentos. Após conquistar 5 premiações nacionais em gestão ambiental, concedidas pela CNI, a Joal Teitelbaum entendeu que todas as suas edificações deveriam buscar a excelência socioambiental, através do desenvolvimento sustentável, e enxergamos, então, que compatibilizar nossos conceitos com aqueles do United States Green Building Council era o método mais efetivo para a concretização deste objetivo. Para se ter uma idéia, nos Estados Unidos, os fundos SRI’s (Social Responsible Investment Trends) são equivalentes a 10% do total aplicado na bolsa. No Brasil, o consumidor já iguala a responsabilidade socioambiental das empresas à qualidade de atendimento, em vários outros setores. Assim, percebemos que todo e qualquer investimento na melhoria de processos que levem à sustentabilidade gerarão retorno para as empresas com esta cultura. A Joal Teitelbaum, hoje, além de construir Green Buildings, esta prestando consultoria para empresas de médio e grande porte para aplicar conceitos sustentáveis em suas plantas industriais.
Equipe Editorial: A inovação nas organizações é, cada vez mais, um fator cultural do que atribuição de especialistas. Como isso se reflete na sua empresa após a aplicação do Modelo de Excelência em Gestão?
Teitelbaum: A inovação é importante em todos os mercados. Quem não inovar, não sobreviverá. Assim, aqui na Joal Teitelbaum criamos a figura da pirâmide da mudança, composta por três vetores: Criar – Inovar – Mudar. E é assim que tratamos a inovação, em âmbito de processos e produtos, sempre buscando maximizar a satisfação do cliente, surpreendendo-o através de novos serviços, com elevado valor agregado. No modelo de negócios, exemplificado pela criação da unidade de negócios de consultoria e pela diversificação no setor da construção civil, onde passamos também a ser contratados para gerenciar processos de contratação e construção de obras civis e de construção e montagem para indústrias que estão implementando novas unidades fabris, de modo a agregar nossa expertise ao processo construtivo, certamente resultante da excelência de processos praticados na gestão de nossos empreendimentos no ramo imobiliário e de obras privadas. Da mesma forma, estamos prestando serviços de consultoria para empresas de grande porte, nas áreas de modelagem de processos, excelência empresarial e saúde, meio ambiente e segurança, até organizações do terceiro-setor, com a implementação dos Critérios de Avaliação do PGQP. Em 2007, lançamos o primeiro empreendimento residencial que será construído conforme os fundamentos do United States Green Building Council no Brasil, o Príncipe de Greenfield. Da mesma forma, passamos a prestar consultoria em sustentabilidade para empresas de grande porte, que desejam transformar suas instalações antigas e projetar as novas em “green buildings”.
Equipe Editorial: Ativos intangíveis, como a marca, a reputação, o conhecimento e os relacionamentos têm cada vez mais valor. Como o PGQP e o PNQ o ajudaram a desenvolver esses ativos em sua empresa?
Teitelbaum: Estruturando o planejamento estratégico conforme os critérios e fundamentos do MEG, trabalhamos a Liderança, Estratégias, Clientes, Sociedade, Informações e Conhecimento, Pessoas e Processos, Gerenciamentos e os resultados obtidos e melhoramos e aprendemos com a aplicação de nossas práticas de gestão. Desta forma, obrigatoriamente, estaremos trabalhando marca, reputação, conhecimento e relacionamentos, entre outros aspectos importantíssimos para a evolução do sistema de gestão empresarial, como inovação, credibilidade, redes e visão sistêmica, por exemplo. O PNQ, por sua vez, é o grande teste de avaliação para a empresa. Consideramos fundamental a avaliação contínua neste processo. O Relatório de Avaliação (RA) recebido após o término do ciclo por cada organização participante é o principal resultado do prêmio, pois ele é concebido por uma equipe treinada e altamente capacitada. Se bem utilizado pelas empresas, se constitui na principal ferramenta gerada pelo processo.
Equipe Editorial: Na sua avaliação, qual é a importância do PGQP no crescimento econômico do Rio Grande do Sul?
Teitelbaum: Os dados apresentados pelo PGQP no Rio Grande do Sul são dignos de qualquer país de primeiro mundo. O nosso Estado detém a única organização vencedora no setor da construção civil e também a única do setor hospitalar e, de forma protagônica, passou também a desenvolver a aplicação dos princípios da qualidade na área do Governo do Estado e da Prefeitura de Porto Alegre. Estas ações bem evidenciam o que está sendo obtido por esta liderança que conduz o PGQP. Esta contribuição do PGQP é uma das maiores que o setor privado/sociedade civil pode realizar para definir parâmetros de uma política de estado, política esta acima de diretrizes político-partidárias. Entendemos que, através deste movimento pela Qualidade, a sociedade brasileira terá condições de definir rumos, estabelecer cenários e conquistar resultados traduzidos em melhores índices de desenvolvimento social, ambiental e econômico.
Equipe Editorial: Quais os planos do Escritório de Engenharia Joal Teitelbaum para os próximos anos?
Teitelbaum: Hoje, além dos empreendimentos na construção civil e dos gerenciamentos de obras corporativas para empresas e indústrias, prestamos consultoria em gestão para organizações dos mais diversos setores. Desta forma, disseminamos o capital intelectual desenvolvido ao longo dos anos na Joal Teitelbaum para nossos clientes através da prestação de serviços. Em 2009, iremos crescer mais de 50% em relação a 2008 na área da construção civil, e continuaremos desenvolvendo nossas duas novas unidades de negócio (gerenciamento de obras corporativas e consultoria em sistemas de gestão), sempre dentro dos fundamentos que sempre pautaram nossas atividades: excelência com sustentabilidade.
Outubro/2008
Entrevista concedida com exclusividade para a equipe editorial do PortalQualidade.com.
Coordenação editorial: Raquel Boechat
Redação: Leandro Motta Prade
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