O Hospital Moinhos de Vento (HMV) se mantém, pela excelência dos serviços, entre os melhores do mundo. É o único na Região Sul que conta, pela terceira vez consecutiva, com o selo de qualidade internacional em saúde concedido pela Joint Commission International (JCI). Entre as inovações, para melhoria contínua de sua gestão, atualmente está sendo implantado no Hospital o processo de Co-Criação, que viabiliza uma maior representatividade no processo criativo e produtivo. Para isso, são envolvidos os stakeholders da instituição (pacientes, familiares, médicos, operadoras de saúde e empresas) como fontes para o planejamento e definição das metas. Nesta entrevista, realizada com exclusividade para o PortalQualidade.com, o superintendente executivo do Hospital Moinhos de Vento, João Polanczyk, explica estas e outras ações que tornaram o HMV uma referência mundial em saúde.
Equipe Editorial: Quando o Hospital Moinhos de Vento implantou o Sistema de Gestão pela Qualidade? Por que aderiu ao PGQP?
João Polanczyk: O Sistema de Gestão pela Qualidade iniciou em 1991 e a adesão ao PGQP deu-se em 1994. O HMV aderiu por ser uma instituição sempre preocupada em incorporar novas tecnologias e melhores práticas.
Equipe Editorial: Qual o retorno que a participação no Programa trouxe para o Hospital?
Polanczyk: Melhoria nos processos assistenciais, segurança aos pacientes, competitividade e sustentabilidade. A participação no Sistema de Avaliação e a premiação com o Troféu Ouro no Prêmio Qualidade RS, em 2007, proporcionou muita visibilidade e oportunidades de compartilhamento da metodologia de gestão com as melhores organizações do Estado.
Equipe Editorial: O HMV é uma instituição que oferece serviços e atende ao cidadão. Como a implantação do sistema de Gestão pela Qualidade contribui para fortalecer a imagem e a relação com a comunidade? É possível mensurar os benefícios?
Polanczyk: A melhoria percebida na assistência reflete os resultados alcançados. As inúmeras formas de reconhecimento, premiações e certificações nos mostram como a sociedade percebe a instituição.
Equipe Editorial: Quais os principais pontos levados em conta quando o Hospital decidiu ser um dos principais parceiros do PGQP?
Polanczyk: O acesso a novas metodologias em gestão, a convivência em ambiente de aprendizado e, como entidade mantenedora do PGQP, a responsabilidade em sua manutenção, considerando que o Programa é um dos maiores patrimônios do Estado.
Equipe Editorial: A chamada Co-Criação é atualmente o novo paradigma da criação de produtos e serviços. Com este processo, é possível que o cliente ou usuário faça parte do processo criativo e produtivo da empresa ou instituição. O HMV tem trabalhado com esta nova ferramenta? De que forma a sua metodologia está sendo aplicada?
Polanczyk: Até então o processo de planejamento era desenvolvido com a participação de dirigentes e colaboradores, tentando estabelecer o que as partes interessadas teriam à disposição e como seriam nossos produtos e serviços. A inovação por Co-Criação busca, como fonte para o planejamento, identificar o que aquelas partes (stakeholders) entendem como importante e indispensável na assistência hospitalar. Para o Hospital Moinhos de Vento foram consideradas as necessidades dos pacientes, familiares, médicos, operadoras de saúde e empresas. Não só ouvi-los, mas alterar nossos processos de trabalho na perspectiva de processos internos para entrega dos serviços.
Equipe Editorial: Quais os benefícios da Co-Criação para o HMV? Desde quando esta metodologia está sendo trabalhada?
Polanczyk: Os principais benefícios contemplam: inovação nos processos internos, implementação de mudança, aumento de competitividade e sustentabilidade econômica, social e ambiental.
Equipe Editorial: Como resultado do selo internacional de saúde (Acreditação Hospitalar) o HMV mantém práticas de gestão e excelência que podem ser sentidas nos serviços prestados nas cinco especialidades estratégicas de seus serviços: oncologia, materno-infantil, traumatologia e ortopedia, neurologia e neurocirurgia e cardiologia, assim como, em indicadores clínico-assistenciais. Quais são estas práticas?
Polanczyk: A Acreditação Hospitalar pela Joint Comission International (JCI) iguala o Hospital aos melhores do mundo. Poucos são os hospitais no Brasil que conseguiram tal distinção. Na Região Sul o HMV foi o único. JCI, critérios de Excelência do Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ) e Sistema de Avaliação Interna são metodologias utilizadas para assegurar a previsibilidade, qualidade e segurança do paciente nos processos médico-assistenciais. Permite-nos, através de indicadores, comparar nossos resultados com os melhores hospitais certificados pela JCI. Os resultados são extensivos a todos os pacientes e não apenas os das áreas ênfases, acima citadas.
Equipe Editorial: A qualidade de vida parece, mais e mais, comprometida devido à rotina acelerada. Medicina e tecnologia avançaram muito na última década, influenciando o crescimento da expectativa de vida das pessoas. Estamos vivendo mais, mas com menos qualidade de vida. O senhor concorda com esta constatação?
Polanczyk: Concordo em parte. Todo dia vemos pessoas com mais de 80 e mesmo 90 anos com boa qualidade de vida. São bem conhecidos os determinantes da longevidade e qualidade de vida: alimentação, exercícios físicos e mentais, abstenção de fumo, hábitos de vida, etc.
Equipe Editorial: O senhor acredita que a espiritualidade pode auxiliar na cura de enfermidades. O HMV estimula esta crença entre seus colaboradores e pacientes? De que forma?
Polanczyk: O HMV, desde sua fundação, há 81 anos, tem na espiritualidade um de seus pontos fortes. O Hospital tem um confecional, ecumênico, com programas como de Assistência Integral, implementado formalmente, que vê as pessoas em todas as suas dimensões como física, emocional e espiritual.
Equipe Editorial: Inovar e gerir com qualidade são processos contínuos dentro dos preceitos do PGQP. Quais pontos devem ser melhorados dentro HMV?
Polanczyk: O caminho para a qualidade é uma busca constante no dia-a-dia, sem fim. Sempre existem oportunidades de melhoria e sempre surgirão novas necessidades no setor de saúde. Clientes melhor informados, mais exigentes, cobrarão maior segurança e previsibilidade. Daí a necessidade de investimento nas pessoas que serão, cada vez mais, os diferenciais percebidos.
Equipe Editorial: Quais os objetivos prioritários do HMV para o ano de 2009?
Polanczyk: Com a crise mundial, a primeira medida será a elaboração de um plano contingencial de sustentação. Conclusão do planejamento, usando a metodologia de inovação por Co-Criação; implantação de projetos que darão sustentação aos objetivos estratégicos; trabalho intenso no desenvolvimento de pessoal interno e início da implantação do Sistema de Saúde no Bairro Restinga.
Dezembro/2008
Entrevista concedida com exclusividade para a equipe editorial do PortalQualidade.com.
Coordenação editorial: Raquel Boechat
Redação: Guilherme Ferreira
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