

31/01/2006
Neuza Maria Dias Chaves*
Até a década de 80, as empresas eram configuradas na hierarquia e na obediência. Em 20 anos houve muitas mudanças. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o desempenho brasileiro é vinte vezes superior e a produtividade média das companhias cresce 8% ao ano. Apesar deste avanço, as margens são menores e isto faz com que todos funcionários da empresa, independentemente da função que ocupem, tenham que se juntar para produzir os melhores resultados se quiserem competir com concorrentes internacionais.
Várias organizações estão concluindo que as pessoas que trabalham na linha de frente dominam os processos. Se considerarmos que em média 85% dos empregados estão na linha de frente, o grande desafio é ter um sistema que os motivem a participar da gestão da organização.
Não se pode desperdiçar o conhecimento e a criatividade de tantas pessoas, principalmente em um momento de acirrada competição. Por isso, são formadas as Equipes de Melhoria Contínua (EMC), que na maioria das empresas são denominadas de Círculos de Controle da Qualidade (CCQ). São equipes de sete a dez funcionários da empresa, que atuam de forma voluntária e contínua, em torno de quatro horas mensais. O objetivo é o crescimento das pessoas, melhoria do ambiente, dos processos, cidadania e retorno financeiro.
Para estimular a participação responsável e a própria confiança do funcionário, primeiramente, são realizados treinamentos rápidos contendo exercícios e jogos, que visam à solução de problemas. É uma estratégia para que cada um deles use de forma simples o próprio conhecimento sobre a organização e os processos. Assim, eles são estimulados a revelar os pontos de vista guardados. Não é para ensinar, mas sim ajudar as pessoas a descobrirem o que sabem. Quando atingem esta etapa aprendem novas técnicas.
Este programa de desenvolvimento de equipes ativa o potencial humano e vem se firmando como uma resposta natural à necessidade das empresas e das pessoas, na medida em que resolvem os problemas críticos do local de trabalho. Além disso, as relações entre o funcionário e o gerente se estreitam, aumentando o respeito entre eles e maior motivação.
Resultados
Os efeitos destas atividades são visíveis não apenas pelo interesse que despertam nos funcionários, mas também no desempenho operacional da companhia. Estatística da Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG) aponta que o investimento inicial da empresa - no trabalho de consultoria e nos cursos internos - é recuperado em até um ano. Mais do que isso: algumas empresas conseguem, no mesmo prazo, um retorno financeiro de até cinco vezes em relação ao montante aplicado.
Uma das equipes, com menos de um ano de atividade, promoveu a solução de um problema técnico em uma das unidades da empresa, evitando o gasto de mais de R$ 800 mil com a contratação de consultores externos para analisar a causa do problema e propor alternativas. Ou seja, são os próprios funcionários propõem inovações ou soluções a problemas que geram desperdício de recursos, condições inseguras, agressões ao meio ambiente ou mesmo uma inovação. Tudo isto porque eles conseguem detectar até 100% das falhas operacionais - por estarem diretamente relacionados ao processo.
*Neuza Maria Dias Chaves, Consultora e líder do projeto de Círculos de Controle da Qualidade (CCQ) no Instituto de Desenvolvimento Gerencial (IDG). Autora dos livros "Soluções em Equipe" e "O Caderno de Campo das Equipes de Melhorias Contínuas".
Fonte: Portal da Qualidade
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